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quinta-feira, 21 de julho de 2022

 Património ferroviário abandonado em Afife


   Na freguesia de Afife, concelho de Viana do Castelo, encontra-se em absoluto estado de abandono uma parte do nosso património ferroviário. O mesmo vislumbra-se ao k. 91.083 da Linha do Minho.

   O edifício encontra-se degradado, repleto de entulho, de portas escancaradas,  deveras maltratado. 

Os comboios chegaram a esta região em 1878, altura essa em que as suas comunidades conheceram o verdadeiro progresso. 

   Esperemos que a IP - Infraestruturas de Portugal, reabilite o edifício e lhe atribua uma nova missão, ou, que em última análise, passe a propriedade do imóvel para a autarquia local, a fim de que este possa ser utilizado para outros fins, sobretudo culturais. Não se pode aceitar de ânimo leve que o nosso património ferroviário seja tratado com tanto desprezo, em particular, quando este serviu de amparo ao desenvolvimento da Nação. 

A infraestrutura encontra-se paralela à Estrada Pedro Homem de Mello (pela frente) e o Caminho de S. Roque (pela retaguarda).







(Autor: Rui Maia 21.07.2022)


sábado, 22 de maio de 2021

 Apeadeiro de Carvalha

(1879)

   O Apeadeiro de Carvalha situa-se na freguesia de Campos, concelho de Vila Nova de Cerveira - trata-se de uma pequena gare ferroviária em meio rural, muito próxima da Zona Industrial de Campos, a escassos metros do rio Minho. No local podem-se apreciar as bonitas cancelas, que correm sob carris, tal como os Comboios que por ali passam. No momento em que por ali me detive pude apreciar a chegada de uma composição movida a tração elétrica - inaugurada há pouco tempo neste troço da Linha do Minho. Este ponto da Linha do Minho localiza-se entre São Pedro da Torre (a Norte) e Vila Nova de Cerveira (a Sul).




(Autor: Rui Maia 22-05-2021)

   O Apeadeiro encontra-se num estado lastimável, tal é a desordem que por ali impera, desde lixo no seu interior às paredes vandalizadas.
(Autor: Rui Maia 22-05-2021)

   Urge dotar o espaço de outro asseio e cuidado, que pelo seu valor histórico e patrimonial tanto merece. Assim, é um infeliz cartaz para os forasteiros que visitam um dos melhores destinos turísticos da Europa.

   Muito próximo do Apeadeiro de Carvalha, junto à Zona Industrial de Campos, situa-se um pequeno viaduto ferroviário, de escassos metros de comprimento.

(Autor: Rui Maia 22-05-2021)





Estação do Caminho de Ferro de São Pedro da Torre

(1879)

   A Estação do Caminho de Ferro de São Pedro da Torre, no concelho de Valença do Minho, situa-se entre o Apeadeiro das Carvalhas e a antiga Paragem de Segadães. Trata-se de uma bela Estação ferroviária, com telhado de quatro águas, cujo edifício principal se prolonga em ambos os lados, numa volumetria menor, em telhados de duas águas. A infraestrutura é arquitetonicamente análoga à Estação de Darque, em Viana do Castelo, até pelo facto de possuir também uma ramificação da Linha principal dedicada à CIMPOR - Cimentos de Portugal, SGPS, S.A.







(Autor: Rui Maia 22-05-2021)

   O complexo ferroviário que por ali se testemunha é composto por uma pequena casa, que se situa praticamente nas traseiras da Estação de São Pedro da Torre, encontrando-se em estado devoluto, que certamente servia os trabalhadores dos Caminhos de Ferro (porventura como morada do Chefe da Estação). As suas redondezas são a Praça de Taxis.




(Autor: Rui Maia 22-05-2021)


   A Estação do Caminho de Ferro de São Pedro da Torre é contemplada pelas suas "Retretes" exteriores, forradas a belos azulejos, muito mal tratados, em tons de azul, com motivos florais, bem como a própria Estação ferroviária, de cujos azulejos se deixa um vislumbre.



(Autor: Rui Maia 22-05-2021)


   Refira-se, também, que a dita Estação de São Pedro da Torre se localiza (em linha recta) muito perto da freguesia do Cerdal, muito conhecida pela sua Feira, sobretudo no dia de Finados, junto à Capela de São Bento.



 Paragem de Segadães (Valença do Minho)

(1879)

   Ainda a Estação de Valença do Minho não tinha sido concluída na Vila - atualmente cidade - e o lugar de Segadães na freguesia de Cristelo Côvo assumiu por momentos a paragem dos Comboios, como gare provisória, tendo ficado conhecida como "Valença". 

(Gazeta dos Caminhos de Ferro - N.º 1475 - 1-6-1949)

Mais a montante de Segadães, em 1884, era inaugurada de forma definitiva a Estação do Caminho de Ferro de Valença do Minho. Passados dois anos era inaugurada a travessia internacional - 1886 - rodo e ferroviária, através da magnifica ponte metálica que liga Valença do Minho a Tui, vencendo as águas do rio Minho, Obra de Arte de Pelayo Mancebo y Ágreda (engenheiro espanhol).


(Autor: Rui Maia 22-05-2021)



   Ali, próximo da passagem de nível de Segadães, localiza-se um pequeno viaduto, também ele rodo e ferroviário, a escassos metros da Igreja Paroquial de Cristelo Côvo. Trata-se de uma pequena infraestrutura, em alvenaria, de escassos metros de comprimento.





(Autor: Rui Maia 22-05-2021)

   Em virtude da reorganização administrativa do território de 2013, a freguesia de Cristelo Côvo está agregada às freguesias de Valença e Arão. Denominando-se "União das freguesias de Valença, Cristelo Côvo e Arão". A distância entre o lugar de Segadães e Valença do Minho (centro) é de aproximadamente 3 km.


sexta-feira, 21 de maio de 2021

 Estação do Caminho de Ferro de Darque

(1878)

   A Estação do Caminho de Ferro de Darque, Vila que se situa defronte a cidade de Viana do Castelo, na margem Sul do rio Lima, é porventura a interface ferroviária mais dinâmica entre o troço Barcelos - Viana do Castelo. Além de se tratar de uma lindíssima Estação do Caminho de Ferro, parte integrante da Linha do Minho, afigura-se como ponto fundamental sobretudo para o sector das mercadorias. Este ponto da Linha do Minho permite o cruzamento de composições que, ora de passageiros, ora de mercadorias, por ali passam com bastante frequência. Aqui vos deixo um vídeo, onde se pode testemunhar o evento em que as composições se cruzam, aguardando uma pela outra pelo sinal de avanço - no caso em particular - a composição de mercadorias (estacionada e de tração Diesel) aguarda a chegada da composição de passageiros (de tração elétrica), podendo seguir o seu caminho na mesma via. Isto sucede em alguns pontos da Linha do Minho precisamente por esta se tratar de uma Linha de via única.

(Autor: Rui Maia 21-05-2021)


   A Estação do Caminho de Ferro de Darque é arquitetonicamente muito bem concebida, tratando-se de uma infraestrutura bastante nobre para a época, como tantas outras que lhe são análogas cronologicamente.


(Autor: Rui Maia 21-05-2021)


   A Estação possuiu um telhado de quatro águas - nas laterais prolonga-se - vislumbrando-se mais dois telhados, estes de duas águas, o que lhe confere um aspeto elegante. 
(Autor: Rui Maia 21-05-2021)


   No interior, encontram-se molduras onde surgem locomotivas, a vapor, dos tempos áureos de um evento que moldou a sociedade e a economia como nunca outro o tinha conseguido. 


(Autor: Rui Maia 21-05-2021)


   No exterior, do lado Sul, encontra-se um espaço amplo, significativo, para onde se dirigem ramificações da Linha principal, dedicadas à CIMPOR - Cimentos de Portugal, SGPS, S.A - fundada em 1976 - onde se encontram estacionadas máquinas e vagões de mercadorias.

(Autor: Rui Maia 21-05-2021)
   As paredes encontram-se revestidas de belos painéis de azulejos em tons de azul - com motivos florais (flores e folhas) - de uma beleza muito característica desta Arte que foi sendo encomendada a grandes artistas para embelezar estes espaços - é o caso de Jorge Rey Colaço - com os seus painéis da Estação de São Bento, na cidade do Porto (de uma beleza e complexidade de tirar o fôlego) - e muitas outras pelo país. Além disso, é importante referir que noutros tempos as Estações do Caminho de Ferro eram tratadas com nobreza, onde os jardins e outros aspetos eram sempre motivo de asseio e cuidado. Darque, e a sua Estação, venceram o 1.º prémio do Concurso das Estações Floridas de 1944, promovido pelo SNI - Secretariado Nacional de Informação - organismo esse criado em 1933.
(Autor: Rui Maia 21-05-2021)
   No exterior da Estação encontram-se as denominadas "Retretes", commumente conhecidas como "Casas de Banho" ou "WC" - existe junto à Estação uma pequena fonte de água, um jardim, vasos em cimento, onde cada unidade contém uma das letras que dá o ser à localidade: DARQUE. A Estação possuiu uma cobertura metálica - similar a tantas outras da época na Linha do Minho - é contemplada pelo belo relógio da CP - que tanta classe lhe confere. A sala de espera é generosa, com bancos de madeira e metálicos, balcão de atendimento, plantas, azulejos em quadrados (pretos e brancos) - é agradável.




(Autor: Rui Maia 21-05-2021)


  A terminar, importa salientar que seria importante tratar o espaço envolvente com mais cuidado, no sentido de restaurar e preservar tudo aquilo que outrora foi concebido com "chieira" para tornar a Estação de Darque num local aprazível aos sentidos. Espero que este excelente exemplar dos primórdios dessa Nova Era encontre a simpatia de quem tutela estas infraestruturas, concedendo-lhe o brilho de outros tempos!







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