Ponte ferroviária da firma francesa Fives-Lille
(1879-2023)
Estuário do rio Coura, em Caminha
Ponte ferroviária da firma francesa Fives-Lille
(1879-2023)
Estuário do rio Coura, em Caminha
Ponte Eiffel do rio Âncora
(01-07-1878)
Ponte Fives-Lille, sob o rio Coura, em Caminha
(1879)
A Ponte Metálica sob as águas do rio Coura, em Caminha, é uma Obra de Arte de Oitocentos, da famosíssima firma Fives-Lille, originária da França. Não é, ao contrário do que muitas vezes se reitera, uma Obra de Arte da Casa Eiffel de Paris; pese embora esse erro ser até compreensível, uma vez que Eiffel cunhou um tempo, criando uma marca e uma Nova Era, na forma como se passou a construir Pontes, Viadutos, Gares de Caminhos de Ferro e outras infraestruturas. Ora, conotar todas as Obras de Arte em ferro, sobretudo pontes, com a Casa Eiffel é um erro inocente. Porém, não deixa de ser um erro - e, quantas vezes, isso demonstra falta de rigor na investigação? Sobretudo em artigos, trabalhos académicos e periódicos, onde isso não devia acontecer, até porque, uma mentira contada muitas vezes, ganha feições de verdade.
A verdade deve ser translúcida como a água, e os créditos dessas grandes realizações de Oitocentos devem ser dados a seus donos. Aqui fica um pequeno filme, que demonstra a capacidade da velha Ponte em responder aos paradigmas da atualidade, desde que lhe foi colocado o reforço - aquela estrutura em arcos - que podemos vislumbrar, e que permitiu à centenária Ponte sobreviver à atualidade da ferrovia - em particular - a Linha do Minho, aguentando maiores cargas e velocidades. A Linha do Minho é a única que serve a região Noroeste de Portugal, tendo sido electrificada há poucos meses; tarde, mas foi!
Ponte Eiffel de Viana do Castelo
A atravessar a majestosa Ponte de Eiffel em Viana do Castelo, uma composição de dimensões consideráveis da Medway - Transporte & Logística, anterior "CP - Carga", destinada ao transporte de madeiras. A mesma, vazia, desloca-se pelo viaduto ferroviário, que dá acesso ao velho burgo. Trata-se de uma imagem esclarecedora do poder da ciência e da técnica, empregues nessa bela Obra de Arte, pela mão do Génio do Ferro.
Ponte Eiffel de Viana do Castelo
(1878)
A Ponte Eiffel de Viana do Castelo que, sob a margem Norte do rio Lima assenta (na cidade de Viana do Castelo) e, na margem Sul, assenta na Vila de Darque, está prestes a completar 143 anos ao serviço do progresso. A Ponte, que sob o cunho de um dos mais conceituados génios do ferro foi desenhada - Alexandre Gustave Eiffel - é uma verdadeira alegoria à imaginação humana. A leveza e beleza com que se coloca sob as águas do rio Lethes, jamais fará esquecer aqueles que presenteia, com tamanho arrojo e audácia. A colocação do seu tabuleiro recorrendo ao método do - empurre - que obrigou na época à construção de um grande estaleiro de trabalho, destinado às várias operações do projeto - foi um verdadeiro marco na construção deste tipo de pontes. As fundações, construídas com recurso a câmaras de ar comprimido, vão bem fundo no leito do rio, pelo que os pilares da Ponte, em cantaria aparelhada, conjugados com a beleza dos apoios - entre a infraestrutura e os ditos pilares, conferem-lhe uma beleza singular. Refira-se, também, que os operários que realizaram as fundações com recurso ao dito método, passaram por momentos muito difíceis, em condições de contra-relógio. A Ponte Eiffel de Viana do Castelo, alvo de vários melhoramentos ao longo dos anos, como o alargamento do seu tabuleiro - de seis para oito metros - e outros, manifesta-se hodiernamente como elemento fundamental do desenvolvimento social - económico e territorial da região. A recente inauguração da tração elétrica na Linha do Minho, confere à Ponte Eiffel o seu novo papel num paradigma que se constrói permanentemente, mercê da sustentabilidade da Terra e, por consequência, do próprio Homem e das outras espécies. Um bem-haja a esta magnifica Obra de Arte que continua a ser um regalo para os amantes do Património industrial de Oitocentos. Aqui ficam algumas fotografias que permitem um vislumbre sobre a sua complexidade e beleza.
Ponte Ferroviária do rio Neiva - Viana do Castelo / Braga
(1878)
A Ponte Ferroviária do rio Neiva localiza-se nas freguesias de Tregosa (concelho de Barcelos) e Barroselas (concelho de Viana do Castelo). Trata-se de uma pequena ponte ferroviária, que faz a travessia do rio Neiva, assentando nos extremos de duas freguesias de concelhos distintos. A ponte é acessível pela Rua Medieval, onde apenas é possível passar uma viatura de cada vez.
Ponte Fives-Lille do rio Coura
(Caminha)
A Ponte do rio Coura, em Caminha, foi uma das primeiras obras realizadas pela Casa francesa Fives-Lille. Trata-se de uma infraestrutura metálica, de via única, datada de 1879, classificada à data como sendo uma obra tecnicamente exigente e dispendiosa. A Ponte tem uma extensão total de 164,210 metros, e um tramo central de 60 metros, com dois dos pilares fundeados a 10 e 17 metros. Em 1999, por forma a adequar a Ponte a maiores cargas, foi desenvolvido um projeto de reforço total que, atendendo à relevância desta Obra de Arte, de imensurável valor estético e significado histórico, assegurou a preservação das suas características e identidade, reabilitando-a através da criação de uma nova estrutura, sem esconder a primitiva, que partindo da aplicação de cores contrastantes permite com ligeireza identificar as duas. Assim, foi possível manter o seu funcionamento ao serviço de Portugal. A mesma é parte integrante da Linha do Minho.
Ponte Eiffel do rio Âncora - Caminha
A Ponte Eiffel do rio âncora, em Caminha, é uma Obra de Arte do século XIX, projetada para a travessia ferroviária do rio Âncora, parte integrante da Linha do Minho. Trata-se de uma Obra de Arte da Casa Eiffel de Paris, inaugurada em 1878, e que serviu os seus propósitos até ao último quartel do século XX - 1989. Nessa época foi substituída pela CP - Comboios de Portugal, por uma nova infraestrutura, mercê do novo paradigma de velocidade e de carga imposto pelos novos comboios. Atualmente, a mesma encontra-se depositada num terreno de uma empresa de metalurgia, situada na Póvoa de Lanhoso, em Covelas, depois de ter sido doada pela CP em 2006 para concretizar uma travessia no Ave, em Nasceiros, que nunca viria a ser realizada. A Junta de Freguesia de Âncora debate-se há cerca de dez anos a esta parte pelo seu regresso, para ser valorizada e incorporada nas rotas do património cultural local. A Ponte Eiffel do Âncora, como atesta a fotografia aqui exibida, não está ao abrigo de quaisquer medidas de conservação, sofrendo ano após ano os efeitos colaterais do tempo e, por essa via, o aproximar do seu desaparecimento - uma vez que partes da infraestrutura foram roubadas. A autarquia da Póvoa de Lanhoso, apesar de nada querer fazer com a Obra de Arte, tem negado ou ignorado a vontade que as comunidades de Âncora manifestam para a sua valorização. Não se admite este desleixo com o nosso património cultural. Esperamos que a situação mude, e a velha Ponte seja recolocada em local nobre, para fruição das comunidades do Alto Minho, particularmente, a quem pertence por direito.

(Rui Maia - fotografia de autor (09-2019)
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