Fábrica de Serração de Madeiras
Vieira do Minho
Ao chegarmos a Vieira do Minho, uns metros antes de entrarmos no burgo, encontra-se à venda e em estado de absoluto abandono uma velha Fábrica de Serração de Madeiras.
Estação do Caminho de Ferro de Fafe:
• Breve história •
(1907-1986)
A história dessa bonita infraestrutura é indissociável da chegada do Caminho de Ferro à cidade de Guimarães, que ocorreu aos 14 de abril de 1884 - há praticamente 138 anos. A Linha de Guimarães, que na época era denominada de “Caminho de Ferro de Guimarães”, é uma Linha que, na sua essência, parte de Lousado - derivando da Linha do Minho - e segue em direção à cidade berço da nacionalidade. Recorde-se que, aquando da sua execução, a mesma alcançou Vizela aos 31 de dezembro de 1883. Apenas no século XX foi possível concretizar a extensão da Linha de Guimarães até à então vila de Fafe. Aos 16 de junho de 1903 deu-se o início das obras para a construção do troço entre Guimarães e Fafe. Apesar de todas as vicissitudes decorrentes das expropriações e da incerteza quanto ao local onde seria implantada a Estação da vila (o que ocorreu no ano seguinte) dissiparam-se tais obstáculos e tudo se processou de forma a levar por diante esse grande empreendimento - tão premente para a região. A Estação do Caminho de Ferro de Fafe foi inaugurada aos 21 de julho de 1907, concretizando-se assim mais uma importante expansão da nossa rede ferroviária. É importante recordar a elaboração do Plano da Rede Complementar ao Norte do Mondego, de 1900, que foi decisivo para o incremento de muitas Linhas, pese embora o facto de muitas delas se terem ficado pelas calendas gregas.
A velha Estação do Caminho de Ferro de Fafe serviu outrora um conjunto importante de diligências que operavam entre a vila e regiões próximas, como: Arco de Baúlhe - Cabeceiras de Basto - Cavez - Fermil de Basto - Gandarela de Basto - Mondim de Basto - Pico - Arco Panal - Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar.
Em 1927, a Companhia do Caminho de Ferro de Guimarães foi agremiada à Companhia do Caminho de Ferro do Porto à Póvoa e Famalicão, dando origem à Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal.
Em 1932, a firma Omnibus Fafense, estabeleceu com a Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte um conjunto de ligações entre a Estação do Caminho de Ferro de Fafe e as povoações servidas por esta. A ligação de Fafe a Arco de Baúlhe chegou a fazer parte dos planos, contudo, isso sucedeu numa altura em que a camionagem já colocava sérios problemas à ferrovia.
Apesar de muitos planos para a construção de Linhas complementares não terem passado de ideias ou até mesmo do papel, seria interessante a ligação de Fafe à Linha do Tâmega, criando-se uma rede mais integrada. Não é despiciendo o facto de que chegou a ser alvitrada a possibilidade de ligar Fafe a Arco de Baúlhe com passagem por Cabeceiras de Basto - com fins turísticos - o que apesar de tudo nunca chegou a ocorrer.
A Linha de Guimarães a Fafe, com uma extensão de 22km, foi encerrada em 1986, o seu traçado deu lugar a uma ciclovia. A Estação do Caminho de Ferro foi, entretanto, ocupada pela empresa Águas de Fafe.
Quanto ao Cais ferroviário de Fafe, que se localiza a escassos metros da Estação, o mesmo está a ser reabilitado pela empresa NVE, que na sua página oficial nos dá conta do seguinte:
“Reconhecido o valor histórico do edifício, será devolvida a traça original do mesmo, eliminando todas as alvenarias entretanto introduzidas, devolvendo-lhe, no seu alçado sul, o ripado em madeira anteriormente construído. Pretende-se ainda a fidelidade aos materiais originais, como a adoção da telha tipo “marselha”, e madeiras que irão ser usadas para devolver o desenho original do armazém e a manutenção da calçada à portuguesa no pavimento.
Será colocado isolamento térmico nas paredes e na cobertura, sem desvirtuar a imagem final, ao nível da cobertura, sob a telha anteriormente mencionada e ao nível das paredes, de modo a reproduzir a imagem atual, irá ser criada uma caixa-de-ar, onde será colocado o isolamento térmico, semelhante ao da cobertura, em que a imagem interior e exterior das referidas paredes se manterá inalterada.
Para além do armazém principal, existirão ainda módulos complementares baseados em construção metálica, à semelhança dos processos construtivos utilizados nos atuais comboios.
Este projeto servirá de base para a candidatura ao EEC PROVERE – MINHO INOVAÇÃO, que consiste num programa de valorização económico de recursos endógenos. Para além disso, ficará dotado de condições que permitam realizar visitas virtuais pelo concelho e promover a atividade artística, funcionando como galeria de arte e ainda terá um espaço conferências/auditório com lotação para 100 lugares sentados”.
É de relevar a importância da preservação do nosso património ferroviário, que encontra nessa iniciativa um voto de louvor, não apenas pelo valor de memória que representa, mas, também, pelos valores culturais que vai permitir cultivar nesse espaço tão nobre da cidade de Fafe.
É, todavia, lamentável que se tenha procedido a um abate constante da nossa ferrovia, sobretudo no último quartel do século XX, com todas as consequências que isso implicou, desde o desaparecimento de muito desse património cultural até às questões de mobilidade. O paradigma atual, em que a ferrovia se afigura cada vez mais como solução para mitigar os problemas climáticos, através da mobilidade sustentável, obriga-nos a repensar o presente e o futuro e, quiçá, devolver esses espaços às suas funções primitivas.
Valença - Ponte Internacional sobre o rio Minho (Revista Branco & Negro , janeiro de 1898)