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terça-feira, 8 de dezembro de 2020

     The Iron-Bridge of Coalbrookdale





  • Subsídios para a memória do património industrial

   A primeira ponte de ferro construída no mundo, denominada em inglês “The Iron-Bridge” foi erguida num desfiladeiro, para travessia do rio Svern, próximo de Coalbrookdale, em Shropshire na Inglaterra. A ponte é um Monumento inglês, classificada em 1986 como Património Mundial pela UNESCO. A ponte de ferro é de facto uma Obra de Arte, que marca a ignição de uma Nova Era: A Revolução Industrial.

A imagem, adaptada, publicada no “The Telegraph”, ilustra a beleza ímpar da Iron-Bridge, que se constitui por um arco belíssimo que se conjuga brilhantemente com os suportes. A infraestrutura tem cerca de trinta metros de comprimento, cinquenta e dois metros de altura, e dezoito de largura. Na sua construção foram empregues várias centenas de toneladas de ferro fundido (cerca de quatrocentas). O que faz deste Monumento Mundial um ícone é precisamente o seu pioneirismo, remetendo-nos para 1709, quando Abraham Darby se apercebeu que o carvão de Coalbrookdale poderia ser utilizado para fundir ferro. A sua viabilidade económica permitiu avançar para a produção em massa de ferro-fundido, o que acabaria por despoletar a ignição daquela que ficou conhecida como “Revolução Industrial” inglesa. Em 1773, o arquiteto de ShrewsburyThomas Pritchard, teve uma ideia atrevida: Capitalizando os conhecimentos de engenharia com as novas técnicas de fundição de ferro, propôs aquela que seria a primeira ponte de ferro do mundo. A mesma haveria de ser fundida e construída pelo neto de Abraham DarbyAbraham Darby III. Tratando-se de uma ponte forte e durável, cuja missão seria apoiar o transporte de mercadorias através do rio Svern, reduzindo o trânsito de barcaças. Em 1777, os projetos de Pritchard para uma ponte de vão único de trinta metros (cem pés) foram aprovados pelo Parlamento inglês. A edificação da ponte começou nesse mesmo ano, mas, por infortúnio, o génio que a desenhou finou-se passado um mês do arranque dos trabalhos. Porém, entre 1777 e 1779, as obras continuaram, após Abraham Darby III aceitar dar bom porto ao projeto, e todo o ferro ser fundido na fornalha de Coalbrookdale. Em 1781, a um de janeiro, a ponte foi aberta ao tráfego, tornando-se de imediato num local procurado pelos turistas ingleses e estrangeiros. A sua escala e engenhosidade atraiu escritores, poetas, pintores e outros artistas que nela encontraram o expoente máximo da arquitetura – inserida num local predestinado ao deleite e à imaginação. O peso colossal da ponte permitiu aguentar grandes cheias no rio, mantendo a passagem. Contudo, em 1795, os pilares causaram danos na estrutura de ferro, abrindo fissuras, motivadas pela inconstância das margens, que os fizeram mover. Entre 1795 e 1821, houve a necessidade de reforçar os pilares da ponte. O pilar do lado sul foi modificado várias vezes e, porventura, substituído – inicialmente por dois arcos de madeira, e depois por arcos de ferro-fundido. Em 1934, após cento e cinquenta anos ao serviço, a ponte foi definitivamente encerrada ao tráfego rodoviário e designada como “Monumento Antigo”. Em 1973, uma haste de betão armado foi inserida na margem do rio para apoiar os dois encontros, neutralizando desse modo a tendência dos lados da garganta de empurrar para dentro. Em 1997, um pequeno esboço em aguarela realizado por um artista, de seu nome “Elias Martin”, deu à tona em Estocolmo, lançando por fim luz sobre um velho mistério: A forma como a ponte havia sido construída. Na viragem do século XX para o século XXI – 1999-2000 – a ponte foi alvo de um grande programa de conservação e pesquisa. As entidades “English Heritage” e o “Ironbridge Gorge Museums Trust”, realizaram um levantamento arqueológico exaustivo, o que permitiu obter informação detalhada acerca da natureza da ponte e seu desempenho. Entretanto, em 2017, o de “English Heritage” deu corpo ao maior trabalho de reparação, conservação e repintura da ponte, restituindo-lhe a sua cor primitiva. Os trabalhos foram dados por concluídos em 2018. Atualmente, a ponte é utilizada para passagem de peões, apesar de o seu arco ter sofrido um ligeiro abatimento. A Obra de Arte, marco indissociável da Revolução Industrial, é um dos mais icónicos monumentos construídos em ferro. É, portanto, a marca indelével da génese do Património Industrial, que encontra em muitas infraestruturas em ferro como pontes, fábricas, gares, e outros, dos mais belos Monumentos em simbiose com a natureza que os sustem. No distrito de Viana do Castelo a Ponte Eiffel sobre o Lima é talvez o Monumento mais expressivo do património industrial da região. Há outras infraestruturas também elas valiosíssimas, como a Ponte Ferroviária sobre o Coura, em Caminha, da empresa Fives-Lille, ou a extinta Ponte Ferroviária sobre o Âncora, também ela da prestigiada Casa Eiffel e, para terminar, não poderíamos deixar de lembrar a majestosa Obra de Arte do engenheiro espanhol, Pelayo Mancebo Ágreda – a Ponte Internacional Valença – Tui – essa que nos liga à Europa!

(Rui Maia - 07-12-2020 - In Semanário Alto Minho online)


Iron-Bridge


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 Valença - Ponte Internacional sobre o rio Minho (Revista Branco & Negro , janeiro de 1898)