Somartis
(1960-2021)
Sociedade Manufatureira de Artigos de Artesanato
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Serração de Madeiras
Freguesia de Freixieiro de Soutelo
Hoje, dia 22 de agosto encetamos mais uma viagem pelos meandros do nosso amado Minho. A descoberta do nosso património industrial abandonado é de facto fascinante, tal é a forma como ele se apresenta, tantas vezes cabisbaixo, leproso e desprezado, mas, fascina-nos a energia metafísica que emana do seu velho estatuto, as vozes e a azáfama que por ali se vivia, parece irradiar das suas paredes. A pequena viagem que fizemos, entre curvas e contracurvas, entre o verde jardim do Minho, as leiras e encostas, floridas e retalhadas, onde o sol raia, bronzeando o seu povo, que nessa praia desentendida labuta até que o Astro Divino desça às entranhas do horizonte, fazem desse recanto o éden de Portugal. A aldeia onde encontramos esta Serração de Madeiras devoluta, junto à Estrada Nacional 305, é uma de entre tantas que, pela sua beleza, nos arrepia a alma, de espanto e regozijo - Freixieiro de Soutelo - situada no vale do rio Âncora, encravada num cenário bucólico e pitoresco, dista cerca de 17 km da Sede do Concelho a que pertence (Viana do Castelo). Na velha Serração, teimosamente eretos, encontramos os maquinismos de corte de madeira - na parte de fora e no seu interior - vislumbramos por debaixo do alpendre os trilhos que serviam para conduzir os troncos ao maquinismo de corte (a Serra). O alpendre, que se quer desprender, é amparado pelo improviso de uma viga fiúza - também ela teimosa - como quem diz: com ele eu posso bem, aguento a fatigante tarefa de não o deixar sucumbir aos calabouços de tão deprimente fim. Espero que tão cedo quanto antes alguém se lembre de dignificar este espaço, este lugar de memórias, da vida económica e social dessas comunidades, de um meio rural profundo. Outrora, foi sustento de muitas famílias, progresso deste país que se transfigurava às mão da Ciência e da Técnica. Lembro, porque a minha idade o permite, ouvir histórias de homens que nestas fábricas perdiam partes das mãos, na labuta das Serras - era raro o trabalhador deste tipo de fábricas que não tivesse perdido um ou mais dedos. Além disso, conheci alguns que padeceram de tão malogrado destino! Eram tempos duros, onde a higiene e segurança no trabalho era coisa para o futuro, não nesse tempo de vida rude, austera e difícil. Por isso, estas pequenas fábricas eram a tábua que, na corrente das oportunidades, permitia aos quase naufragados no desalento, encontrar o florescer de uma nova vida, ainda que dura e perigosa. Assim se fez a nossa pátria, com homens e mulheres de pulso!
Estação do Caminho de Ferro de Monção
(1915-1989)
Agora, após tantos anos de abate da ferrovia, pensam naquele dia!
Valença - Ponte Internacional sobre o rio Minho (Revista Branco & Negro , janeiro de 1898)