Seguidores

sábado, 28 de agosto de 2021

 Somartis 

(1960-2021)

Sociedade Manufatureira de Artigos de Artesanato


(Autor: Rui Maia 28.08.2021)



   A Fábrica de Tapetes Somartis, localizada em Monserrate - Viana do Castelo - paralela à EN13, foi fundada por um cidadão belga na década de 60 do século passado. Hodiernamente, testemunha o seu declínio arquitetónico - por força de outras vontades, foi feita em escombros, dos quais poucos restam. Os seus terrenos sustentam as ruínas de um tempo pujante, um período áureo que por ela foi proporcionado para as comunidades envolventes - o ganha-pão de muitos. Ali, onde outrora laborou uma empresa sobejamente conhecida na região, por momentos, pode-se vislumbrar uma bela chaminé em "tijolo burro"- que, julgo eu, vai perpetuar a sua memória histórica. No espaço que lhe pertencia, o qual ocupou por mais de meio século, vão nascer um supermercado, um restaurante e um hotel. É pena que a velha infraestrutura não tenha sido aproveitada para outros fins culturais. Mas, os tempos são assim, fazem emergir e desaparecer os paradigmas. Quando a propriedade é privada, mais difícil se torna dar-lhe um fim digno - porém, o mesmo ou pior acontece com a coisa pública.


domingo, 22 de agosto de 2021

 Serração de Madeiras 

Freguesia de Freixieiro de Soutelo


   Hoje, dia 22 de agosto encetamos mais uma viagem pelos meandros do nosso amado Minho. A descoberta do nosso património industrial abandonado é de facto fascinante, tal é a forma como ele se apresenta, tantas vezes cabisbaixo, leproso e desprezado, mas, fascina-nos a energia metafísica que emana do seu velho estatuto, as vozes e a azáfama que por ali se vivia, parece irradiar das suas paredes. A pequena viagem que fizemos, entre curvas e contracurvas, entre o verde jardim do Minho, as leiras e encostas, floridas e retalhadas, onde o sol raia, bronzeando o seu povo, que nessa praia desentendida labuta até que o Astro Divino desça às entranhas do horizonte, fazem desse recanto o éden de Portugal. A aldeia onde encontramos esta Serração de Madeiras devoluta, junto à Estrada Nacional 305, é uma de entre tantas que, pela sua beleza, nos arrepia a alma, de espanto e regozijo - Freixieiro de Soutelo - situada no vale do rio Âncora, encravada num cenário bucólico e pitoresco, dista cerca de 17 km da Sede do Concelho a que pertence (Viana do Castelo). Na velha Serração, teimosamente eretos, encontramos os maquinismos de corte de madeira - na parte de fora e no seu interior - vislumbramos por debaixo do alpendre os trilhos que serviam para conduzir os troncos ao maquinismo de corte (a Serra).  O alpendre, que se quer desprender, é amparado pelo improviso de uma viga fiúza - também ela teimosa - como quem diz: com ele eu posso bem, aguento a fatigante tarefa de não o deixar sucumbir aos calabouços de tão deprimente fim. Espero que tão cedo quanto antes alguém se lembre de dignificar este espaço, este lugar de memórias, da vida económica e social dessas comunidades, de um meio rural profundo. Outrora, foi sustento de muitas famílias, progresso deste país que se transfigurava às mão da Ciência e da Técnica. Lembro, porque a minha idade o permite, ouvir histórias de homens que nestas fábricas perdiam partes das mãos, na labuta das Serras - era raro o trabalhador deste tipo de fábricas que não tivesse perdido um ou mais dedos. Além disso, conheci alguns que padeceram de tão malogrado destino! Eram tempos duros, onde a higiene e segurança no trabalho era coisa para o futuro, não nesse tempo de vida rude, austera e difícil. Por isso, estas pequenas fábricas eram a tábua que, na corrente das oportunidades, permitia aos quase naufragados no desalento, encontrar o florescer de uma nova vida, ainda que dura e perigosa. Assim se fez a nossa pátria, com homens e mulheres de pulso! 










(Autor: Rui Maia 22-08-2021)






sábado, 7 de agosto de 2021

 Estação do Caminho de Ferro de Monção

(1915-1989)


Outrora sonhada, outrora, abandonada!


Iria seguir para Melgaço, mas, por desgraça, não foi, por despacho


Ficaram as memórias, vertidas em estórias.

(Autor: Rui Maia 07.08.2021)

Descartaram um futuro brilhante, deitando-o pelo esgoto abaixo.

Agora, após tantos anos de abate da ferrovia, pensam naquele dia!

 Valença - Ponte Internacional sobre o rio Minho (Revista Branco & Negro , janeiro de 1898)