Barragem do Alto Lindoso
A Barragem do Alto Lindoso é uma verdadeira proeza da engenharia do último quartel do século XX, cujo coroamento se aproxima dos trezentos metros (298), com fundações em granito, em que o betão empregue se cifra em 308.5 x 1000m ³.
(Autor: Rui Maia 26.02.2022)
Localiza-se nos concelhos de Ponte da Barca (Lindoso) e Soajo (Arcos de Valdevez), a escassos quilómetros da vizinha Galiza - Espanha. O rio que lhe dá corpo é o Lima, que nasce em Ourense (Galiza) e que desagua na princesa do Lima, em Viana do Castelo. A Barragem do Alto Lindoso começou a ser projetada em 1983, tendo sido concluída em 1992 e inaugurada aos 18 de setembro de 1993 (há praticamente trinta anos).
(Autor: Rui Maia 26.02.2022)
A infraestrutura é uma das mais altas deste género, destinada à produção de energia elétrica, afigurando-se como elemento de importância maior para a economia e autonomia nacional.
(Autor: Rui Maia 26.02.2022)
Este inverno, um dos mais atípicos das últimas décadas, permite-nos vislumbrar a albufeira com níveis de água que ficam muito aquém do que seria espectável, pelo que se torna preocupante a escassez de água que, por essa via, colocou à vista uma das aldeias da vizinha Galiza, mais a montante do Lima, onde este faz muitos ziguezagues. Quatro povoações espanholas ficaram cobertas pela água, por via da construção da Barragem portuguesa, que as obrigou a submergir: Bao - Bulcalque - Reloeira e Aceredo.



As casas teimam em ficar eretas; as demarcações das propriedades ainda se podem distinguir; os caminhos, esses parecem nunca ter sido abandonados, como se nos últimos anos alguém por ali transitasse; parece um submundo, alienado da atualidade, onde o passado, ainda que não muito distante, esgrime argumentos com o futuro... E nós, na nossa pequenez, tantas vezes tacanha, testemunhamos o quanto tudo é efémero, fugaz...tão fugaz e belo como um relâmpago que rasga os céus numa noite de absoluto breu e frio, enfeitando e agasalhando a alma com as suas cores e o seu calor.
(Autor: Rui Maia 26.02.2022)
Trata-se, por último, de evocar uma das grandes obras do nosso património industrial, vocacionado para a produção hidroelétrica, localizada numa região de uma beleza ímpar, idílica, bucólica e celestial. Não fossem os Espigueiros de Soajo estarem encimados por uma Cruz, muitos datados do século XIX, evocando Deus, salvaguardando o pão sagrado que haveria de alimentar e abençoar a criatividade humana, pela mão do Mestre, que guia as suas ovelhas.